Você
Por Paulo Bergsten Mendes
Empolgação: aprecie tudo com moderação. Pé no chão, chama tímida da paixão. Entregue-se devagarzinho, com muita cautela.
Lembre-se daquele sentimento, que faz de conta não acreditar mais no amor. (Também pudera. O amor judia. Faz de nós gato-sapato. Brinca de esconde-esconde.)
Pare de procurar e deixe acontecer. Tente apenas estar no lugar certo, na hora certa. Sem desespero, nem desilusão ou rancor. Amar só reciprocamente..
E a música no rádio toca: “Hum! Eu quero você como eu quero”.
Escrito por Io son l’amore! às 08h50
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"An eye for an eye makes the whole world blind" (1)
Por Paulo Bergsten Mendes
A: Enforcaram o Saddam?
B: Ele morreu de raiva. Foi assassinado pelo ódio. Antes havia sido testemunha de um estelionato: falsificou um sorriso, que não tinha fundo. Ficou preso nas celas do medo. Seqüestrou o ciúme, raptou o amor, estuprou todos os seus sentimentos. Tirou a roupa de sua alma, um violento atentado ao pudor. Abusou de um menor: a humildade. Declarou rebelião contra a amizade. Um motim de desamor. E no mundo nunca houve tanta violência.
A: De que Saddam você está falando?
"Why do we kill people who kill people to show that killing people is wrong?" (2)
(1) Gandhi (Olho por olho deixará todo o mundo cego)
(2) Por que matamos as pessoas que matam pessoas para mostrar às pessoas que matar pessoas é errado?
Escrito por Io son l’amore! às 12h13
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Fênix
Por Paulo Bergsten Mendes
O mundo vai me engolir. No chão, há um abismo. No acesso a esse buraco, uma calçada de pedras, desenhada em um mosaico de bagunça e caos. Quando entro nesse túnel, escuto: Há luz, no fim. No fim do túnel, há esperança no fundo do poço. A esperança, a última que morre, enfartou.
Lá fora, todos bêbados cantam. Chapados, todos parecem felizes. Das cinzas, a Fênix ressurge. O recomeço de tudo. Tristeza sem fim invade a Via Láctea. Não sei porque habito a terra. Fale que todo mundo é feliz. Mentira, diz uma outra qualquer. Acalme minha alma, por favor, enxergue meu coração. Obrigado.
Eu ando por aí. Eu vago. Sem destino certo. Sinto-me desprezado. Por quem? Por mim, somente. Quero me valorizar. Com valor e raça, ninguém me segura, que nem aquele caminhão sem freio: virou na curva, e bateu no poste. Que solidão. Cadê você? Eu e você éramos nós, uma conjugação de primeiríssima pessoa.
Não quero parecer fraco. Sou forte. Forte de força de gravidade. No fim do poço, há mais lama. No fim do túnel, surpresa, há trevas. Isso para quem não acredita no amor. Rogai por nós, pecadores. Pois quero casar com o amor. Ficar juntinho dele na alegria e na tristeza, na prosperidade e na enfermidade. Até que a vida nos separe. Amém.
Escrito por Io son l’amore! às 10h30
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Personalidade
Por Paulo Bergsten Mendes
A planta quedava fixa no seu canto, e existia, sem mais nem menos.Abrigava pássaros e grilos falantes.Suas únicas ameaças eram os gafanhotos e as formigas. Logo de manhã bebia um copo de seiva. À tarde fazia exercícios de respiração, transformando o ar com seu bafo. Vivia sem preocupação.
Chegou então o homem, e colocou rótulos no seu corpo. Agora era dividida, segmentada por áreas de estudo: raiz, caule, folha, flor e fruto. Depois, podaram os seus galhos, especialmente os mais bonitos. Não pediram licença, nem deram explicação. Descobriu o motivo então: queriam que ela se curvasse, pois era muito alta, e ali passariam fios. E pouco a pouco, ela perdeu o prazer de existir. Ficou desiludida.
Foi buscar força com o sol e com a chuva, e deu a volta por cima. Deixou então suas flores crescerem, e embelezarem o “bairro”. Ela não conhecia a palavra “bairro”: ela era um universo no qual girava o mundo, e não somente uma localização no espaço. Ela também não chamava flor de flor, nem partes de si de partes. Ela era inteira, única, verdadeira, completa.
Assobiou então para as abelhas, os pássaros e os ventos. Queria ajuda para espalhar seus pólens, realizar seu sonho de fecundação. Dessa parceria nasceram milhares de frutos. Ali havia sementes, porções de vida em cada compartimento de fruto. E a vida foi e brotou nos campos, nos vales.
A planta era obstinada, impregnada do existir. Tinha personalidade.
Escrito por Io son l’amore! às 08h17
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Engraçado
Por Paulo Bergsten Mendes
Engraçado: o mar não encheu a cara ontem à noite, mas hoje acordou com uma ressaca desgramada.
Ó mar, porque estás nervoso e estressado?
Saiba que pouco me importa a tua fúria. Moro longe de ti.
Aqui em São Paulo, o Tietê tomou todas ontem à noite. E agora está com mau hálito.
Escrito por Paulo às 12h54
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O Casamento: Análise de Um Pessimista
Por Paulo Bergsten Mendes
Personagem 1: A minha vida é como um quebra-cabeça, dividido em mil e um fragmentos. A cada dia eu monto um pedaço, reconstituindo paisagens e enigmas.
Personagem 2: A vida dele (a) é como um legítimo quebra-cabeça de pintura impressionista. E ele (a) ali, dando duro para montar as nuanças meio incertas de cada micro cenário.
Pontos em Comum: Nos dois quebra-cabeças há peças perdidas que talvez nunca serão encontradas. E só as bordas já estão totalmente montadas.
Desafio: Casar é embaralhar as peças dos dois quebra-cabeças. Será que dá certo?
Escrito por Paulo às 08h34
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Agora
Por Paulo Bergsten Mendes
Agora, busco a felicidade, mas sei que junto virá um pouquinho de melancolia. Como um pêndulo que cumprimenta pólos opostos, o sorriso anda de mãos dadas com o choro.
Agora, vejo que vida é tão frágil, que parece louça fina, o cristal da champanhe. Mas desejo tanto, tanto, tudo, tudo, que tento abraçar-me de vida, viva.
Agora, passo tardes inteiras comigo, sonhando. E como desejo o viver, o amor, tocar e ser tocado por afeto. Chamam isso de carência. Chamo isso de razão de existir.
Agora, meus amigos me iluminam. Percorri quilômetros e anos, andei por caminhos novos, desbravei matas. Mas cheguei junto de ti. Obrigado, amizade, você esteve presente e ausente, apoiando-me em tudo.
Agora, que sentei nesse banco, para cheirar flores e ver o por do sol, escrevi essas palavras, matei a minha sede.
Agora, estou mais perto de você e de mim. Voltei a sentir como um vento a sua e minha brisa. Estou tão feliz.
Agora, prossigo meu passeio pelo mundo.
Escrito por Paulo às 11h26
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E Quase Quebrou a Perna
Por Paulo Bergsten Mendes
O amor acordou cedo. Escovou os dentes. Tomou um banho gostoso. E correu para seu desjejum.
Saiu da mesa apressado. Pegou o ônibus lotado. E chegou ao seu destino de sempre.
Trabalhou que nem condenado. Almoçou na hora marcada. E ao final do dia, fez o caminho de volta.
Tropeçou ao chegar em casa. E quase quebrou a perna.
O amor sobrevivia a uma rotina quase morna, mas fria. E quase quebrou a perna.
Escrito por Paulo às 11h25
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O Brasil Não É De Miseráveis
Por Paulo Bergsten Mendes
Amo-Te Perdidamente Com O Mesmo Afeto Que Devoto À Vida.
Você Permeia Meu Repertório De Sonhos Mutantes, Que Me Sustentam. Mas Como Uma Alface, Você Não Sacia A Minha Fome De Carne.
Em Minha Mente São Despejadas Palavras Sem Nexo, Gênero Ou Idade. Absorvo, Lentamente. Essa Infiltração. Como Se Fosse.
Quarteirões Ando, Sem Saber Porque Dividiram O Mundo Assim. Chego Cedo Na Fila, Para Poder Ficar Próximo Do Antes E Do Depois.
O Homem Nasceu Para Ser Admirado. Quem Me Dera Ter Nascido Com Esse Propósito. O Homem Não Nasceu Ainda Então.
Uma Chuvinha Gelada Molha As Pálpebras Da Minha Esperança. Sim, A Maior Riqueza Está No Amor. Pensando Assim, O Brasil Não É De Miseráveis.
Ou Será Que Será?
Escrito por Paulo às 11h24
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Sem Comentários
Por Paulo Bergsten Mendes
A: Ninguém, por favor me empresta um sorriso? B: Vou cobrar com juros.
A: Alguém, por favor, passa-me um pouco de alegria? C: Economize que está acabando.
A: Ninguém, você sabe aonde mora a amizade? B: Longe da Palestina.
A: Alguém, responda-me uma coisa. C: Não fale comigo, que estou de mau-humor hoje.
A: Ninguém, estou perdendo a cabeça. B: E eu com isso.
A: Alguém, estou tão carente hoje.. C: Vai se f.. então.
Escrito por Paulo às 11h24
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E se Papai Noel existisse?
Por Paulo Bergsten Mendes
Sabiam que já começou a contagem regressiva para o Natal, a mais "família" das festas?
Para celebrar, nada melhor do que arrumar as malas e seguir para um resort cheio de
atividades ou para uma pousadinha charmosa no meio das montanhas..Compre pacotes de
viagem e abra seus presentes longe de casa.
A mensagem comercial é mais ou menos assim. Chegou o Natal. A ordem é comprar. Compre
muito. Não pense duas vezes, nem uma vez. Use seu décimo terceiro salário, crediário,
cartão de crédito, e cheque pré-datado. Afinal de contas, Natal é amor, paz, saúde. Tudo
guardado dentro de uma caixinha, amarrada com um laço. Assim pelo menos é o Natal do
Shopping Iguatemi, só de São Paulo, "uma experiência única", conforme vi num comercial
barato.
E com relação ao bom velhinho, o tal Papai Noel? Velhinhos só servem no Natal? De resto
não são bem-vindos? Bom, deixa quieto. Com relação ao Papai Noel eu sempre escutei que
foi inventado para enganar crianças. Só que hoje em dia o Papai Noel dos correios e
shoppings recebe muito pedidos de adultos.
Segundo li, de um Papai Noel de aluguel, os adultos querem desabafar, precisam se abrir. No
começo ficam com vergonha, quando se soltam, beijam, abraçam o Papai Noel e choram
como criança. Talvez seja por isso que um outro Papai Noel falou que agora ele é meio
padre, psicólogo, feiticeiro.
E de tanto pensar sobre o Natal, Papai Noel, essas preciosidades, tomei uma decisão: a partir
de hoje, acredito em Papai Noel. E para concluir, criei coragem e até enviei a minha cartinha:
"Querido Papai Noel,
Você pode trazer um pouco mais de justiça e paz para esse mundo. Se não, fique por aí
mesmo, no Polo Norte."
Vocês acham que ele vai responder? Descerá pela chaminé? Vem de trenó? Será?
Não aguento mais de tanta ansiedade.
Escrito por Paulo às 17h20
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